Penso que o uso de roupas adequadas ou uniformes nas escolas cumpre ao menos 2 funções muito importantes:
1) Fazer com que não haja uma competição de quem se veste melhor (entendendo-se por isso as melhores grifes da moda e não a adequação ao ambiente) entre alunos.
2) Fazer com que haja uma VIVENCIA por parte deles sobre o que seria adequado ou não para ser usado num ambiente escolar.
Encaro a escola como sendo a profissão da garotada, a praticamente única obrigação social que eles têm na vida. Por isso tem que estudar, tem que tirar boas notas, tem que saber se comportar tem que saber se vestir adequadamente, sim.
Um dos itens mais requisitados nas empresas (grandes, multinacionais, médias e pequenas) em que ministro treinamentos diz respeito exatamente a isso: “Como se vestir para o trabalho”.
É,de fato, um grande problema para eles conseguirem incutir na cabeça dos funcionários o traje mais adequado para ser usado de modo a compor uma imagem pessoal e profissional e não prejudicar a imagem da empresa.
Chances em entrevistas de emprego são jogadas fora só pelo fato do candidato não se apresentar vestido adequadamente ao cargo/mercado que pretende ocupar.
Isso é fácil de ser comprovado. Basta consultar qualquer profissional de recrutamento e vermos os absurdos que ocorrem.
Agora, o porquê de isso acontecer vem de mais longe, vem da falta de vivencia dessas crianças em saberem distinguir um ambiente de outro e a forma como devem se vestir para cada ocasião. Hoje, em nome de um conforto maior, de um mundo mais moderno, elas vão com o mesmo estilo de roupa a uma festa, à escola, a um enterro, ou a qualquer outro lugar. Não há distinção alguma.
Infelizmente a vida não é assim: haverá o desconforto de se usar um terno e gravata num dia de verão ou a necessidade de saber se equilibrar num salto mais alto. Terão que substituir uma mochila onde tudo cabe, por uma bolsa menor e mais bem organizada. Terão que substituir o tênis surrado por um sapato de sola de couro que escorrega. Mais cedo ou mais tarde, para a maioria destes jovens.
E, sem nunca terem-lhes exigido nada na escola em relação a isso, quando conseguirão experiência para escolher o que é melhor, o que compõe melhor sua imagem, o que seria inadequado? Saindo do ensino fundamental/médio caem numa faculdade onde (raras exceções) nenhum traje também será exigido.
É...Ficou bem complicado conseguir vivencia nisso.
Um dos 7 pecados de meu recém lançado livro “Os Sete Pecados do Mundo Corporativo”, fala exatamente sobre essa dificuldade de saber se vestir e no que ela pode comprometer uma carreira promissora. (http://os7pecadosdomundocorporativo.blogspot.com com noite de autógrafos programada para 30/3 na FNAC Paulista (e para a qual gostaria de convidá-los).
Está na hora de voltarmos a educar nossos filhos sem medo de magoá-los, poupando-os de pequenos desgostos, fazendo-lhes todas as vontades.
Mostrar-lhes que a vida é dura mesmo. Difícil. Que nem sempre farão o que querem, mas o que lhes é mandado.
Que a tristeza faz parte dela. Que não vão ser felizes o tempo todo, todos os dias. Quem sabe assim, vendo a vida de frente, sem falsos pudores, as estatísticas sobre casos de depressão comecem a cair.
Que muitas vezes terão que se adequar a regras que podem não ser as ideais em particular, mas são as que vigoram num mercado profissional.
Vocês mesmo, na Folha de SP, há alguns anos publicaram uma matéria que me fez escrever aos colégios citados, um para elogiar e outro para lamentar a posição adotada: No Miguel de Cervantes alunos fazem uma pequena greve na porta, no horário da entrada dizendo que só entrariam para as aulas se fosse liberado o uso das havaianas. Conclusão: liberaram.
Pergunto: que espécie de educação é essa em que um colégio sucumbe aos desejos infundados de um bando de pirralhos?!
A questão das Havaianas já passa a ser secundária quando percebemos que uma instituição perde seu controle sob aqueles que devem impor respeito, com medo de perder alunos, de contrariá-los, de educá-los. Foi realmente lamentável. Perderam uma grande oportunidade de debater a questão,mostrar-lhes a importância de saberem se vestir e estarem preparados para o futuro criando um diferencial entre outros colégios.Preferiram se igualar.
E nesse sentido maior, ensiná-los a se trajar da maneira mais própria desde pequenos vai ajudá-los a encarar o mundo de uma forma mais real.
Esta questão da roupa nas escolas é mesmo uma discussão inserida a todo um novo contexto social onde hoje se procura poupar, proteger demais estas crianças. Nada pode magoá-los, nada pode contrariá-los, tudo pode deixar traumas profundos. Não é assim. Estamos criando uma geração de mimados e depressivos.
O sucesso está, ou melhor, continua reservado aos mais experientes, mais prontos a lidarem com as adversidades. Simplesmente por que elas existem. Estão aí, na nossa frente o tempo todo.
Ligia Marques
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
terça-feira, 2 de novembro de 2010
O que vestir nas escolas e na vida
Lendo o artigo da Rosely Sayão hoje, não posso deixar de me manifestar.
Há mais de uma década aponto para o problema dos trajes a serem usados nas escolas e sobre a falta de vivência nesse aspecto que faz com que as pessoas ingressem no mercado de trabalho sem a menor noção de como devem se vestir.
Vemos escolas de primeira linha passarem ao largo desta questão com a desculpa de darem mais liberdade aos seus alunos ou com o discurso equivocado de que "não importa o que eles tem nos pés e sim na cabeça" (frase publicada em matéria da FSP há alguns anos comentando o episódio do Colégio Miguel de Cervantes onde os alunos fizeram uma rápida greve na porta por não poderem entrar de havaianas. Foram liberados após esta pressão).
Na época também me manifestei publicamente questionando onde e quando as escolas perderam sua autoridade frente a um bando de pirralhos, submetendo-se aos seus quereres sem fundamento.
Ministro cursos de Etiqueta Corporativa (e também etiqueta para Crianças e Adolescentes) e um dos pontos de maior problema a ser trabalhado nas empresas é justamente o "Como se vestir´para o trabalho". Tudo graças à falta de vivencia destas pessoas que chegam ao mercado sem que nunca delas tivesse sido exigida uma correta postura em relação à imagem que querem transmitir aos outros e o valor disso.
Insisto que as escolas deveriam ser mais exigentes nesse tipo de questão como forma de preparar melhor seus alunos para o que vão enfrentar num futuro próximo. Poucas, no entanto tem esta percepção e propiciam um curso aos alunos ou são mais rigorosas na forma de como eles devem assistir às aulas. Tops, shorts, havaianas, regatas decotadas, roupas de grife , etc. é o que mais vemos nas portas.
Um dos aspectos que mais pesam nessa relutância das escolas em estabelecerem regras para uma boa imagem dos alunos visando dar-lhes experiência para o mercado em que atuarão futuramente não é a discordância com esta necessidade e sim a falta de autoridade frente aos próprios alunos e pais com o temor de perderem alunos e portanto recursos financeiros.
As escolas de hoje se submetem às vontades insanas de muitos pais e alunos permitindo que lá façam o que quiserem, que desrespeitem professores, que o bullying atinja níveis nunca vistos.
É preciso que as escolas percam o medo de perder alunos e voltem a ter autoridade sobre seus alunos e saibam utilizá-la em benefício deles próprios e de um futuro melhor.
Ligia Marques
Há mais de uma década aponto para o problema dos trajes a serem usados nas escolas e sobre a falta de vivência nesse aspecto que faz com que as pessoas ingressem no mercado de trabalho sem a menor noção de como devem se vestir.
Vemos escolas de primeira linha passarem ao largo desta questão com a desculpa de darem mais liberdade aos seus alunos ou com o discurso equivocado de que "não importa o que eles tem nos pés e sim na cabeça" (frase publicada em matéria da FSP há alguns anos comentando o episódio do Colégio Miguel de Cervantes onde os alunos fizeram uma rápida greve na porta por não poderem entrar de havaianas. Foram liberados após esta pressão).
Na época também me manifestei publicamente questionando onde e quando as escolas perderam sua autoridade frente a um bando de pirralhos, submetendo-se aos seus quereres sem fundamento.
Ministro cursos de Etiqueta Corporativa (e também etiqueta para Crianças e Adolescentes) e um dos pontos de maior problema a ser trabalhado nas empresas é justamente o "Como se vestir´para o trabalho". Tudo graças à falta de vivencia destas pessoas que chegam ao mercado sem que nunca delas tivesse sido exigida uma correta postura em relação à imagem que querem transmitir aos outros e o valor disso.
Insisto que as escolas deveriam ser mais exigentes nesse tipo de questão como forma de preparar melhor seus alunos para o que vão enfrentar num futuro próximo. Poucas, no entanto tem esta percepção e propiciam um curso aos alunos ou são mais rigorosas na forma de como eles devem assistir às aulas. Tops, shorts, havaianas, regatas decotadas, roupas de grife , etc. é o que mais vemos nas portas.
Um dos aspectos que mais pesam nessa relutância das escolas em estabelecerem regras para uma boa imagem dos alunos visando dar-lhes experiência para o mercado em que atuarão futuramente não é a discordância com esta necessidade e sim a falta de autoridade frente aos próprios alunos e pais com o temor de perderem alunos e portanto recursos financeiros.
As escolas de hoje se submetem às vontades insanas de muitos pais e alunos permitindo que lá façam o que quiserem, que desrespeitem professores, que o bullying atinja níveis nunca vistos.
É preciso que as escolas percam o medo de perder alunos e voltem a ter autoridade sobre seus alunos e saibam utilizá-la em benefício deles próprios e de um futuro melhor.
Ligia Marques
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Crocs e Uniformes escolares

Matéria Folha de São Paulo
19/10/09
Bem oportuno questionarmos as escolas sobre
o tipo de roupa que seus alunos usam para
assisirem às aulas.
Não é questão de ser tradicionalista e achar que o uso
de um uniforme bem definido era uma ótima prática.
É questão de fazer com que as crianças tenham alguma vivência em termos de trajes adequados a cada tipo de ambiente.
O que mais acontece hoje nas grandes empresas é a queixa de que seus funcionários não sabem como se vestir para trabalhar, usam roupas totalmente informais
e inadequadas à imagem de um profissional que deve passar credibilidade própria e da empresa para a qual presta serviços.
Mulheres trabalham de decotes, mini-saias, transparências, sandálias rasteiras, homens de regata, tênis, camisetas velhas, de times de futebol, jeans e por aí afora.
De quem é a culpa?
Se as escolas exigissem um mínimo de rigor, proibindo mini blusas, chinelos, cuecas de fora, etc. esses alunos achariam muito menos problemas quando chegassem ao mercado de trabalho.
Afinal, uma crianças ou adolescente que passa mais da metade de seu tempo na escola vai aprender e praticar este tipo de conhecimento quando e onde , se não for através da própria escola?
Ligia Marques
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